Aaaah, o Esquimó!
Lugar como este não há! Um lugar pra ser o pior restaurante de todos os tempos, mas ainda assim é amado por cada trabalhador que vai lá comer o banquete das arábias.
Eu posso fazer um paralelo do Esquimó com o Obina. Vejam só: o Obina é uma droga de atacante. Ele é gordo, se posiciona mal e seus chutes passam mais perto da bandeirinha de escanteio do que da trave. Ele perde mais gols que o Lúcio (em 95, lembram? Lúúúuúúciooo) e o Rodrigo Mendes (bota pra vender!!). Mas ainda assim ele é melhor que o Eto'o. Ele é melhor que o Pelé. Ele está acima do bem e do mal. Ele faz tabelinha com o Zico no jogo das estrelas. Seu nome é gritado no Teatro Municipal na entrega do prêmio dos melhores do Brasileirão, sem que sequer ele esteja citado na lista.
O Obina é assim. De tão tosco que é, que as pessoas acham graça e levam numa boa.
Isso é o Esquimó! Lugar sujo, não tem mesa, você é servido no balcão mesmo. A cozinha está na sua frente. Você pede a comida e o garçom todo sujo vai lá pegar um prato "limpo" para te servir. Daí ele pergunta: "Vai Feijão??!!". Antes de você acenar com a cabeça, sim ou não, ele pega a concha e pááááááááa no teu prato! Ele olha de novo pra você e diz: "Purêêêê??!!". Você ainda está meio bolado com a situação anterior e prepara um breve suspiro para dizer que coloque só um pouco quando páááááááá, uma onda de purê de batata invade seu prato tomado por feijão mulatinho. Se eu fosse desenhista japonês faria toda uma dramaticidade ao fazer o prato, com direito à explosões, raios e luzes ao jogar a comida no prato. Ah, o prato sujou na borda com a Tsunami de feijão, mas isso não é problema, pois o dedo do nosso garçom tá lá pra dar aquele trato radial no seu prato, tirando qualquer possibilidade de respingos da beirada. Que classe!
Tudo isso em menos de 30 segundos. Você senta, olha pra um dos garçons e já recebe seu prato padrão em uma fração de minuto. O prato chega e você faz o pedido da carne. Um conselho? Pede a hamburguesa só pra ver como é feito. O garçon tira de um armário escuro um bolo de carne do tamanho da palma da sua mão. Pega sua espátula e páááááa´na carne. Só porradão mesmo, mão fechada, sem dó.
O suco é de graça, você duas escolhas. Suco de laranja vindo de uns canos loucos que saem próximos à sua cara. Ou um mate caseiro dentro de uma jarra estranha escondida dentro dos armários escuros do Esquimó.
Tá pensando que acabou? Tem a sobremesa. São três opções que eu já vi lá: um pudim aguado ou salada de frutas que saem de uma caixa prateada gigante ou então uma gelatina. Pra comer a gelatina tem que ter um nível a mais de coragem pois ele fica estocado dentro dos armários escuros.
O legal é que eles são sinceros e não escondem a verdade. What You See Is What You Get. Maneiro. Mas o lugar que lavam as coisas... ah... aí são outros quinhentos, pois o lugar é fechado com dois cadeados e só tem uma frestinha de janela quase no teto. O que acontece do outro lado, parece que eles tem vergonha de mostrar. Mas se eles não tem vergonha do que fazem na nossa frente, o que esperar de lá de dentro?
E então? Porque lá vive cheio de gente, inclusive eu? Não sei, mas posso te dar a resposta igualzinho a do Obina: De tão tosco que é, que as pessoas acham graça e levam numa boa.
quarta-feira, 26 de dezembro de 2007
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Um comentário:
Rapaz, comi no esquimó hj, depois de anos sem passar por la. Comia lá a muito tempo, mas como hj tive a oportunidade de passar pelo centro na hora do almoço, aproveitei pra recordar... Adorei, e por isso vim atrás de fotos do esquimó no google, o que me levou até seu blog. Concordo com tudo que escreveu, mas dispenso a parte ruim. Viva o esquimó. O garçom Gil está totalmente aprovado. Ele te dá bronca mas é um garçom eficiente. Hj comi bife a milanesa, mas qdo voltar vou comer a hamburguesa... e com queijo!
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